Quanto a sua empresa deveria investir em tecnologia?

Existe uma média de mercado, e ela ajuda menos do que parece. O número que importa é outro: quanto os seus gargalos custam por ano se nada mudar.

Setembro chega e começa a conversa do orçamento do ano que vem. Quando ela chega em tecnologia, o dono costuma procurar uma referência de mercado para se comparar. Existe uma, e ela é útil como termômetro. Só que ela não responde a pergunta que interessa, que é quanto a sua empresa precisa investir, e em quê.

A referência diz onde você está em relação aos outros. Ela não diz o que fazer com o dinheiro.

O que a média de mercado diz

A Fundação Getulio Vargas acompanha isso há décadas. A Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV-EAESP, que chegou à 36ª edição em 2025 e trabalhou com 2.672 respostas validadas de mais de 14 mil empresas consultadas, mostra que gastos e investimentos em tecnologia ficam por volta de 9% do faturamento nas médias e grandes empresas brasileiras.

A série histórica é a parte mais interessante. Esse índice era de 1,3% em 1988 e vem crescendo de forma consistente desde então. Ou seja, não é um pico de moda: é uma tendência de trinta e cinco anos.

Guarde esse número como termômetro, não como meta. Uma indústria com máquina cara e um escritório de serviços com dez pessoas têm estruturas de custo completamente diferentes, e a mesma porcentagem significa coisas distintas nos dois casos.

Por que o percentual médio engana

Três motivos, e todos aparecem na prática.

O que entra na conta varia. Algumas empresas incluem telefonia, licença de software, internet e o salário de quem cuida disso. Outras contam só projeto novo. Comparar sem saber o que está dentro leva a conclusão errada.

Média não é adequação. Uma empresa pode estar gastando exatamente 9% e desperdiçando quase tudo em licença que ninguém usa. Outra pode gastar 4% e ter resolvido o gargalo que segurava o crescimento. O percentual não distingue as duas.

A referência não conhece o seu momento. Empresa que acabou de trocar o sistema principal tem um ano de custo alto e depois cai. Empresa que adiou tudo por cinco anos tem uma dívida acumulada que a média não mostra.

Usar o percentual como meta leva ao pior dos mundos: gastar para chegar num número, em vez de gastar para resolver um problema.

O número que realmente decide

A pergunta certa não é quanto os outros gastam. É quanto os seus gargalos custam por ano se nada mudar.

Esse número você consegue montar, e ele é bem mais útil que qualquer média. Some, para cada gargalo conhecido:

  • As horas gastas por mês em trabalho manual, multiplicadas pelo custo-hora real

  • O retrabalho quando dá errado, incluindo o tempo de achar e corrigir

  • O que se perde por decisão atrasada ou informação errada

  • O que você deixa de vender ou entregar por causa do limite atual

  • O custo de contratar mais gente para dar conta do crescimento previsto

O total é o custo anual de não fazer nada. Qualquer investimento em tecnologia se compara com ele, e não com o que o concorrente gasta.

Como dividir o orçamento

Depois de ter o número, a divisão importa mais que o valor. Três fatias, com lógicas diferentes:

Manter o que já existe. Licença, hospedagem, suporte, manutenção dos sistemas atuais. É custo fixo e não gera ganho novo. A meta aqui não é cortar por cortar, é saber exatamente o que se paga e por quê. Quase toda empresa acha licença de coisa que ninguém usa quando faz essa revisão.

Resolver o gargalo mais caro. É a fatia que devolve dinheiro. Um projeto por vez, com número medido antes e depois. Foi o que a gente detalhou no post sobre por onde começar.

Reserva para o inesperado. Regra fiscal muda, fornecedor descontinua produto, integração quebra. Empresa que não reserva nada trata cada evento desses como emergência, e emergência custa mais caro.

A tentação é colocar tudo na primeira fatia, porque ela é obrigatória e chega com boleto. Aí o ano passa inteiro sem nenhum problema ser resolvido, e em setembro do ano que vem você senta pra montar o orçamento exatamente com as mesmas queixas de hoje.

O erro de orçamento mais comum

Aprovar o valor do projeto e esquecer do que vem depois.

Sistema entregue precisa de manutenção, ajuste e evolução. Se o orçamento cobre só a construção, uma de duas coisas acontece: o sistema envelhece até virar problema, ou cada ajuste vira negociação de emergência fora do orçamento.

Ao aprovar qualquer projeto, aprove junto o custo do ano seguinte. Essa única mudança evita a maior parte das surpresas de meio de ano.

Como montar o seu, nesta semana

  1. Levante o que você já gasta hoje, incluindo licença, suporte, hospedagem e as horas internas de quem cuida disso. Muita empresa não sabe esse número.

  2. Liste os gargalos e o custo anual de cada um. Sem isso, qualquer proposta parece cara.

  3. Escolha no máximo dois para atacar no ano. Mais que isso costuma virar nenhum.

  4. Reserve a manutenção do que for aprovado, desde o primeiro dia.

  5. Defina como vai medir. Um número antes, o mesmo número depois. É o que justifica o orçamento do ano seguinte.

É esse levantamento que a gente entrega no diagnóstico da AXIS: o custo anual dos gargalos, o tamanho realista de cada projeto e a ordem que faz sentido, com número em vez de percentual de mercado. Veja as soluções da AXIS ou agende seu diagnóstico, sem compromisso.

Dúvidas comuns

Qual percentual do faturamento investir em tecnologia?
A Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV-EAESP aponta algo em torno de 9% do faturamento em médias e grandes empresas brasileiras, com crescimento consistente desde 1,3% em 1988. Serve como termômetro de comparação, não como meta: o valor certo depende dos seus gargalos e do seu momento.

O que deve entrar no orçamento de tecnologia?
Manutenção do que já existe (licenças, suporte, hospedagem), os projetos do ano e uma reserva para imprevisto. E, dentro de cada projeto aprovado, o custo de manutenção do ano seguinte.

Como justificar o investimento para os sócios?
Com o custo anual do problema, não com comparação de mercado. "Esse gargalo consome X horas por mês e gera Y de retrabalho por ano" sustenta uma decisão. "O mercado investe 9%" não sustenta.

Quantos projetos posso tocar por ano?
Em média empresa, um ou dois com chance real de terminar. O limite raramente é dinheiro: é o tempo das pessoas que precisam participar do projeto sem parar a operação.

E se o orçamento for pequeno?
Comece pelo gargalo mais caro e resolva ele por inteiro. Um projeto pequeno que funciona e é medido financia o próximo. Vários projetos pela metade não financiam nada.

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